Artigo

Liderança e Cultura Organizacional nas Empresas Familiares

Artigo publicado na Revista Empresa Familiar.

Para ler a matéria na revista, acesse o link Revista Empresa Familiar, página 20. Boa Leitura.

Os empresários representam uma das principais bases geradoras de emprego, renda, qualidade de vida e desenvolvimento em um país. A maioria dos fundadores de empresas são homens e mulheres admiráveis pela sua autoconfiança, coragem e persistência frente a um ambiente caracterizado por mudanças constantes, e imprevisibilidade. Muitas vezes arriscam tudo o que tem e em outras até mais, colocando em xeque a credibilidade pessoal, a auto-estima, a saúde e, em alguns casos, até a família. Não por falta de bom senso, mas pela convicção das suas idéias, pelo significado existencial que a empresa tem, pelas crenças que embasam motivação interna e orientam as escolhas.

Ser empresário no Brasil exige doses maiores de autoconfiança, coragem e persistência, em função das elevadas cargas tributárias, carência e/ou ineficiência de políticas sócio-econômicas, programas de acesso ao crédito e profissionalização voltados à sustentabilidade das organizações, a custos compatíveis com cenário brasileiro, principalmente, das micro e pequenas empresas familiares. Estas variam de 60% a 90% no mundo o no Brasil aproximadamente 90%. Apesar da importância, quase não recebem orientações de acordo com sua estrutura organizacional e apenas cerca de 5% chegam à terceira geração.

Separar o que é da família e o que é da empresa e sucessão são desafios a mais, em relação às outras organizações. E, dependendo da forma como são conduzidas, podem conquistar os herdeiros ou tornarem-se alvos de conflitos e desintegração da família e/ou empresa. É uma realidade que requer lideranças mais flexíveis e adaptáveis às mudanças.

Mas, quais fatores contribuem para construir uma empresa capaz de se adaptar, conservando apenas a estabilidade necessária?

Entre os fatores destacam-se a liderança e a cultura organizacional como diferencial entre as organizações bem-sucedidas e mal sucedidas, porque a cultura é produto do aprendizado pela experiência de um grupo. Esse aprendizado inicia com o nascer da empresa e os fundadores, através do estilo de liderança, princípios, crenças, formas de se relacionar e resolver problemas que estruturam a filosofia e o comportamento desejável, formando as bases para uma cultura adaptável às mudanças ou não. Quando o fundador obtém sucesso e transmite confiança, os colaboradores internalizam o seu estilo, a visão de mundo e o papel que a organização deve desempenhar. Como a liderança é um processo relacional, onde líderes e liderados são co-responsáveis pela qualidade das relações e resultados, a interação e as experiências exitosas ou não criam padrões de valores e certezas que delineiam um modo de vida, uma forma própria de pensar, sentir e se relacionar, uma cultura organizacional. Uma liderança frágil não transmite segurança e cria um ambiente propício para conflitos, falta de comprometimento e lealdade, porque quando as referências de autoridade se perdem a responsabilidade fica comprometida, sendo absolutamente nocivo à empresa familiar.

A liderança cria as bases da cultura organizacional e com o tempo a cultura também influencia, tornando-se necessário uma liderança atenta às novas necessidades para orientar os rumos da empresa. E, se necessário criar, gerir ou até destruir uma determinada cultura da organização. É uma tarefa complexa porque os valores e as certezas estão enraizados na organização. Para torná-la adaptável é preciso abertura a novas idéias e maneiras de fazer as coisas. A evolução depende de como as situações são resolvidas pela liderança e dos resultados. Neste caso, a liderança transformacional é uma opção, pois se caracteriza pelo esforço do líder para mudar a situação em termos de objetivos e processos, estimulando os seguidores, demonstrando confiança nas suas capacidades para alcançar elevadas aspirações e o comprometimento com a missão e os objetivos da organização. E, assim como a cultura organizacional e a liderança, líderes e liderados são interdependentes e os resultados dependem dessa relação.

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