Artigo

Problemas são apenas episódios da vida. PROTAGONIZE!

Outro dia, durante o intervalo do café, ouvia comentários dos colegas sobre mais um final triste na carreira de um profissional brilhante: Demitido. Tempo de serviço: 10 anos. Um exemplo de superação de metas, comprometimento, organização, integridade, iniciativa, capacidade de resolver questões complexas e foco na qualidade dos resultados representavam a sua marca. Um talento humano de altíssimo valor. “Uma ótima pessoa, se não fosse a falta de educação”, disse o gestor de RH. Falta de educação? Pensei, que tipo de educação? Seria algo de ordem emocional, pois no pouco contato que tive parecia-me uma pessoa cortês? Que fatores influenciaram naquele desfecho?

O cenário mexeu com meus sentimentos, afinal o que mais me motiva é a elevação da excelência humana. Quis saber o por quê. Por quê? “É que o pessoal cansou de ser tolerante”. Segundo o gestor, desde o início houve muitos problemas de relacionamento interpessoal, mas o sucesso da empresa dependia da expertise técnica no desenvolvimento de produtos. Por isso, durante anos a equipe foi complacente. Os feedbacks sobre comportamentos inaceitáveis e treinamentos sobre mediação de conflitos, trabalho em equipe e negociação não encontraram receptividade, e o desgaste nas relações de trabalho custou a perda de outras pessoas talentosas, como também, gerou sentimentos de desesperança e queda na produtividade.

Refleti, então, sobre minha vida. Identifiquei várias situações em que a educação emocional foi colocada à prova no trabalho, na relação conjugal, na educação dos filhos ou com os amigos, e faltou inteligência para lidar com situações difíceis, sem discutir ou ofender verbalmente.  Quantas vezes o diálogo cedeu lugar a comportamentos improdutivos que causaram mágoas e sofrimento. Percebi avanços. Que alívio! E o quanto continuo aprendendo sobre emoções, dar e receber mais afeto, entender sentimentos, encontrar propósitos de vida mais, reconhecer erros, pedir desculpas, construir vínculos verdadeiros, sendo menos defensiva e mais afetiva.

Por quê?

Por que aprendi que os problemas, tal como a demissão são apenas episódios da vida. Ser emocionalmente inteligente não é garantia de estabilidade no trabalho. Ajuda. A competência técnica aliada à comportamental gera ambientes e relações mais produtivas e saudáveis. E, você pode aprender com os erros; assumir responsabilidade pessoal pelos resultados e desenvolver a suas aptidões emocionais. Lembro-me de um técnico industrial considerado “um gênio feito barril de pólvora”. Era temido por todos, pois se uma máquina dava problemas, ele esbravecia e mirava o culpado. Ao refletir sobre o impacto dos seus comportamentos na equipe, em um dos encontros de coaching, constatou que faltava conhecimentos de manutenção aos operadores e que o medo de perguntar, pelo temor a sua reação,  estimulava a tentativa e erro, gerando numerosos transtornos na linha de produção. Frente a isso, passou a focar na solução de problemas, de forma colaborativa, valorizando as ideias. Resultado: Redução de custos operacionais, aumento da produtividade e  melhor interação com a equipe.

Os problemas do cotidiano tendem a colocar a paz, o amor e a alegria em jogo, trazendo mal estar. Todavia, o ser humano é muito maior que os seus problemas. E, apesar dos descontroles aqui e ali, no íntimo está a carência de afeto e reconhecimentos em conflito com o medo de ser rejeitado, humilhado ou não amado. Assim é preciso deixar o melhor de nós vir à tona. Viver o aqui e agora. Caprichar no figurino, de dentro para fora, de fora para dentro. Inaugurar o melhor da vida, explorando a fonte interior para edificar uma vida agradável, produtiva, próspera e feliz. E protagonizar. Assumir a direção, redirecionando o roteiro do  filme da própria história, para uma vida bem sucedida, apesar das barreiras no caminho.

Nessa perspectiva, o processo de Coaching Executivo e Empresarial pode contribuir muito para que o Executivo ou o Empresário assuma, de fato, o seu papel de Protagonista. De agente transformador de realidades. De principal influenciador no contexto dos negócios e da performance dos grupos de trabalho. Como assim? Na medida em que reflete, de forma compartilhada, com o apoio e a neutralidade de Coach, identifica com mais nitidez a conexão entre os resultados, as decisões e ações. Bem como, que fatores estão impactando de forma positiva ou não, nos resultados pessoais, profissionais e organizacionais. E por fim, o que impacta positivamente serve para manter, conscientemente, como alavanca para utilizar em outras situações; e o que não, representado por erros ou dificuldades, se for do interesse do coachee (cliente), pode ser aproveitado a seu favor, para crescer e atingir patamares mais elevados, agregando valor para si mesmo e para a organização como um todo.

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