Artigo

Teimosia ou persistência?

A persistência é um dos principais fatores de sucesso no contexto empresarial porque se refere à ação e efeito de persistir, de manter-se constante nos objetivos do negócio (do Latim Persistere – continuar com firmeza; de PER “totalmente” e de SISTERE “ficar firme”). É entendida como o “combustível que move o empreendedor; é a energia pessoal, a ‘transpiração’, o empenho, a dedicação para enfrentar obstáculos ou desafios dos negócios para atingir as suas METAS”.

Portanto, persistência somente tem sentido quando existe meta. Um empreendedor persistente sabe aonde quer chegar e por isso não mede esforços; se preciso faz sacrifícios; insiste ou muda de estratégia até alcançar seus objetivos e metas. Diante das experiências mal sucedidas organiza seu tempo para pensar, avaliando o que foi feito (ações), como foi realizado (estratégia) e os resultados obtidos.

A dificuldade serve de estímulo para encontrar novas alternativas (métodos) que conduzam em direção à conquista das metas e do futuro desejado. Para isso se empenha em conhecer o mercado; ouvir seus clientes, colaboradores, parceiros, empresários bem sucedidos no ramo; também busca orientação profissional, enfim, o que for necessário.

O primeiro passo para se obter algo mais na vida é este: decida o que quer. (Ben Stein)

E o empreendedor teimoso? Age de forma contrária ao persistente.

Geralmente tende ao fracasso, porque não muda de estratégia; é um agir repetitivo. Diante dos erros, da perca de dinheiro, colaboradores, clientes e parceiros não reavalia onde foi que errou. Resiste ao processo de pensar sobre o porquê as ações não estão trazendo resultados satisfatórios. Não busca alternativas de melhorias e tende a atribuir culpas. Enquanto teima preserva a cegueira e afasta, inclusive, as pessoas de bom senso e visão que poderiam ajudá-lo, pois se recusa a ouvir e aceitar; vive obstinado pelas suas próprias idéias.

A persistência e a teimosia permeiam a realidade das micro e pequenas empresas no seu dia–ia, aliás, a vida de todas as pessoas. E, sábias são aquelas que monitoram não só os resultados da empresa, mas principalmente as suas próprias atitudes, aprendendo com erros e acertos e investem nas suas competências e habilidades, de forma a dedicar ao negócio apenas o tempo necessário para gerar os resultados desejados, permitindo-se viver com mais qualidade.

Por outro lado, de nada serve a persistência sem o comprometimento, ou seja, a responsabilidade pessoal do empresário com os resultados e o esforço para manter a satisfação dos clientes, mesmo que perca dinheiro no curto prazo. Neste sentido, a prática da consultoria me oportunizou conhecer vários empreendedores de micro e pequenas empresas que se tornaram bem sucedidos, orientando-se pela crença de que é melhor “perder dinheiro num primeiro momento, do que perder um cliente” porque muitas vezes o dinheiro perdido é insignificante ou tende a zerar frente ao aprendizado obtido para uma gestão mais eficaz do negócio e dos clientes. Em muitos casos é decisivo para o desenvolvimento da empresa.

Enquanto que a teimosia normalmente coloca um ponto final nos sonhos, cedo ou tarde. Toda atitude de teimosia pode ser transformada em atitude persistente. Para isso, um dos passos essencial é identificar quais são as crenças do empreendedor que o fazem insistir na mesma estratégia.

Por exemplo: tudo o que se obtém na vida são resultados. Resultados excelentes, ótimos, bons, regulares ou ruins. Nada que acontece é positivo ou negativo. Isso é apenas um juízo de valor, um julgamento pessoal. O que existe de fato é resultado.

Todo resultado é consequência de comportamentos. Comportamentos refletem o nosso jeito de ser, pensar e agir, isto é, a tendência de analisar as situações por uma ótica mais positiva ou pessimista, a maneira de lidar com conflitos, de tomar decisões, de se relacionar…

O comportamento é determinado pelos valores meios e fins de cada pessoa, grupo ou empresa. Valores dizem respeito às coisas que realmente são importantes na vida das pessoas ou da empresa. Há valores meios (família, trabalho, amigos, clientes…) e valores fins (o que os valores meios proporcionam: alegria, prazer, realização, segurança, independência financeira…).

Os valores meios podem mudar conforme a circunstância e a fase de vida. Os valores fins não mudam. É o que move, o que dá sentido a vida ou a missão da empresa. Os valores, por sua vez, são definidos pelas crenças. Crenças dizem respeito a tudo que aprendemos e acreditamos como verdade ao longo da vida. Temos crenças fortalecedoras (exemplo: acredito que a persistência me levará ao êxito) e limitantes (exemplo: eu não tenho tempo). Logo, se o objetivo é conquistar resultados mais gratificantes, o ponto de partida está nas crenças.

Por fim, minha recomendação é que os empreendedores reservem um tempo para reflexão. Que definam seus objetivos, metas e resultados para depois planificar cada etapa. Se possível consultem especialistas. E, na medida em que implantarem cada ação revise os planos; mantenham registros para tomada de decisões; ajam para reduzir os riscos e controlar os resultados; façam melhor as coisas, mais rápido e com menor custo, zelando para satisfazer ou exceder os padrões de excelência e aproveitar melhor as oportunidades. Esta é uma exigência do mercado para empresas bem sucedidas e longevas.

E como fonte de inspiração e exemplos de atitudes empreendedoras como a Persistência, Objetivos e Planejamento recomendo os filmes:

Julie & Julia e Door to Door (de porta em porta) baseados em histórias reais. Ambos apresentam a persistência como a qualidade de continuar firme diante dos obstáculos, dos infortúnios. Por pior que sejam as adversidades é possível vencer, afinal vencer é uma questão de postura diante da vida.

Facebooktwittergoogle_plus